Guia rápido de apps Android para quem acabou de chegar do iPhone

Sexta-feira, por algum tipo de conjunção astral, só pode, aconteceu uma coisa bizarra. Três usuários de iPhone vieram me perguntar o que eu estava achando do meu Android — estou com um Galaxy S7 já tem alguns meses. Uma das pessoas inclusive eu jamais poderia imaginar: é o tipo de cara que zoava fortemente quem não tinha iPhone. (seu nome será mantido em segredo) Os motivos de todos basicamente giravam em torno do tema “o iPhone está muito caro e já não oferece tanto diferencial assim”.

Hoje um deles me mandou uma mensagem “mudei!” e pediu dicas de apps. Segue a lista, sem nenhuma ordem em especial. A real é que a maioria dos apps hoje em dia estão disponíveis nas duas plataformas, então vou focar só em coisas que substituem apps que só tem pra iOS (esnobes) e apps que mostram coisas que só dá pra fazer no Android.
Antes uma primeira dica: ao contrário do iOS, no Android você pode instalar os apps direto do site Google Play. Então é só acessar os links abaixo e clicar o botão Instalar direto no navegador.

MX Player
Apenas o melhor player de mídia do universo. Entre 2013 e 2014 usei Android por um ano e esse foi o app de que mais senti falta quando voltei pra maçã. No melhor estilo Android, jogue qualquer arquivo — ele toca qualquer formato de audio ou vídeo e tem suporte a legenda — que ele toca para você. No iOS as coisas seriam um pouquinho mais complicadas, já que lá os apps (nem o usuário) tem acesso direto ao sistema de arquivos do telefone.
O grande diferencial dele é uma interface apenas genial, baseada em deslizar o dedo por partes da tela para: adiantar ou voltar o vídeo, aumentar ou diminuir o volume do som e o brilho da tela. Além disso tem uma função indispensável pra quem tem filhos pequenos ou simplesmente esbarra muito na tela: um botão que trava a tela para qualquer tipo de toque.
É grátis mas tem versão paga. Apenas pague.

mx

Facebook Hello
É prata da casa e, sinceramente, não é atualizado tem mais de 1 ano. Só que ele serve muito bem pra você entender coisas que fazem muita diferença no Android quando comparamos com o iOS:

1) Os apps tem muito mais integração com outros apps e o sistema operacional, podendo conversar entre si.

2) Não gostou de alguma coisa no telefone? É só trocar. Não gostou da página inicial do telefone, a tela onde você escolhe o app que vai abrir? Pode trocar. Ou, nesse caso, não gostou da app que faz ligações telefônicas? É só trocar.

O Hello substitui seu “discador” e oferece uma funcionalidade bem útil: ele é um identificador de chamadas que usa os dados do Facebook para saber quem está ligando. Se a pessoa que está ligando já está na sua agenda, beleza, ele mostra os dados da sua agenda. Mas e se for um número desconhecido? Nesse caso o Hello entra em contato com o Facebook perguntando se alguém é dono daquele número — e optou por compartilhar essa informação com o mundo. Encontrando a pessoa ele mostra não só o nome como a foto, local de trabalho, etc. Já me salvou de umas situações de não atender ligações importantes só porque a pessoa não estava na agenda.

Grátis
hello

Pocket Casts
É o programa que uso para ouvir podcasts. É pago, mas o argumento que me convenceu a comprá-lo foi “tão bonito que nem parece app de Android!”. 😛

Tem uma interface bem amigável, incluindo funções indispensáveis para mim: adiantar ou recuar em alguns segundos o programa ao toque de um botão e controlar a velocidade de reprodução. Essas funcionalidades são meio que padrão hoje em dia, mas bizarramente não estão na versão iOS do Pocket Casts.

R$ 7,99

pocket

ES File Explorer
Já falei que no Android você consegue acessar os arquivos do seu telefone como um dispositivo de armazenamento qualquer? Nada das ilhas muradas da Apple. Então o ES File Explorer é o programa que eu uso para organizar as coisas, como apagar arquivos que não quero mais, mover coisas de lugar (incluindo o cartão de memória) ou simplesmente poder dizer os arquivos são meus, sou maior de idade, vacinado e devo ter acesso a eles! Talvez a galera mais veterana do droid conheça melhores, se for o caso é só avisar.

Ah! Ele também tem funções de compartilhamento de arquivos via outros apps, wifi ou bluetooth. Você pode não só mandar arquivos para outros dispositivos como acessar aquela pasta do computador que compartilhou pela rede. Ele também ajuda você a visualizar quais arquivos estão ocupando espaço na sua memória, mas pra isso eu tenho outra sugestão.

Grátis

ez

DiskUsage
Pqp, como assim acabou o espaço do meu telefone!!! Quem nunca, não é mesmo?
Não é o app mais lindo do mundo (nenhum é, conforme-se) mas cumpre a tarefa: mostra quais pastas, sub-pastas… e arquivos mais comem espaço no seu telefone, ajudando na decisão de qual app desinstalar para abrir espaço para a playlist sertanejona do Spotify.

Grátis

Gerenciador de Dispositivos
Esse é de utilidade pública: o equivalente Android ao “find my iPhone”. Esse app na verdade serve para você achar e gerenciar os seus dispositivos, mas rodar uma primeira vez vai garantir que ele está bem configurado. Você também pode controlar seus dispositivos direto pelo seu navegador.

Grátis

gerenciador

Como eu costumo dizer, se você se acha nerd você tem que ter Android, pelo controle muito maior que tem sobre seu telefone. Tem também o fator (que Apple-lovers transformam em desvantagem) de que tem um Android pra cada gosto e tamanho de bolso. Isso pode confundir na hora de comprar, mas gasta um tempinho e acha o que você curte. E se quiser ficar no iPhone, tudo bem, continuamos chapas mesmo assim. Eu tenho até amigo que usa.

O Brasil e a correria que mata

São Paulo é uma cidade doente. Uma cidade onde cenas como essa são corriqueiras. Onde as pessoas começam as conversas falando da “correria”. Onde se vive uma grande ilusão coletiva de auto-importância, onde o agora não basta, é tudo para ontem, todo mundo é importante e precisa resolver alguma coisa com urgência.
Fabio Yabu, clique e leia

Todos os dias, indo e vindo do trabalho, eu passo por essa esquina aqui:

Eu vou andando pela Manoel da Nóbrega e preciso atravessar a Al. Santos. Tem milhares de esquinas assim pelo mundo. Os carros na Manoel podem entrar à direita na Santos (a maioria faz essa curva) mas há uma faixa de pedestres bem ali. Portanto se eu atravesso na faixa os carros tem que parar e me deixar passar. Só que, como já disse aquele famoso filósofo, o Anônimo, o Brasil é o país da frase “tomara que essa lei pegue”. Onde uma lei ser seguida ou não é só opcional e a tal da voz do povo pode arrumar argumentos para seguir ou não a lei. Nesse caso o argumento é “Se eu for deixar todo pedestre passar eu não saio do lugar”.

Nessa esquina eu já fui quase atropelado, xingado, buzinado e, quando estava dirigindo no mesmo lugar e deixando um pedestre passar, buzinado e xingado por quem vinha atrás. Porque as pessoas em seus carros não podem parar, os pedestres que parem, que deem a volta, que se explodam. Eu, que prefiro estar vivo do que com a razão, opto por dar a volta e cruzar no sinal, à esquerda, mesmo que depois tenha que atravessar a rua de novo para pegar o metrô na Paulista.

Longe de mim querer defender o estilo de vida americano, mas vou me permitir cair no clichê de citar “a América”, como eles dizem lá na América. Passei 10 dias em Austin e chegava a ser incômodo para minha mente já paulistana como o pedestre é respeitado em todos os cantos sem questionamento. Os moradores indo trabalhar e o trânsito parado porque 65 mil pessoas estavam andando a pé para lá e para cá para ver suas palestras. Só que o trânsito parava, amigão. Eu mesmo parei num sinal com a mesma configuração desse da Al. Santos (todo mundo querendo entrar para a direita) e em mais de uma ocasião os carros simplesmente não andaram entre o “abrir” e fechar do sinal de carros porque algumas dezenas de pessoas estavam atravessando. Se você quis vir de carro o problema é seu.

Eu falo de São Paulo porque é aqui que eu moro e aqui que passei a virar pedestre e usuário de transporte público. Minha (falta de) fé no brasileiro me diz que no país todo é assim. Eu sei que no Rio a coisa muitas vezes é pior, já que os motoristas se agridem uns aos outros, mas pelo menos o número de motoqueiros é menor o suficiente para que a batalha campal que acontece em São Paulo quase não exista. Motoqueiros paulistas, aliás, que acham que a linha tracejada nas ruas da cidade significa “pista expressa para motos em qualquer situação”. Quando o governo ameaçou fazer valer a lei de que motos só podem trafegar nessa faixa quando os carros estão parados os motoqueiros (motoboys profissionais e motoqueiros que usam a moto para ir e vir do trabalho) alegaram que isso não podia acontecer porque “aí não vale a pena ter uma moto”. Como se a lei e a ordem servissem para isso, para que seu estilo de vida valha, não importando o resto.

Desde pequeno ouvi a história de que “seu direito acaba onde começa o meu”. Isso, portanto, significa que “meu direito acaba onde começa o seu”. Só que esses 10 dias no Texas — no Texas, cara! Aquele lugar onde a gente acha que as pessoas andam armadas e se matando — confirmei com meus olhos e minha pele que o Brasil é o lugar onde esta afirmação não é verdadeira. Cada um que cuide do seu espaço. Isso vale não só para o trânsito. O brasileiro é um povo espalhado, como a gente costumava dizer lá no Rio. É só você ir em espaços públicos com lugares para sentar, aeroportos ou praças de alimentação por exemplo, para ver pessoas em pé e bolsas ocupando cadeiras. Porque afinal de contas minha bolsa é mais importante que você — eu cheguei primeiro e peguei lugar, então espere na fila. O Brasil podia tranquilamente alterar o Código de Trânsito para os seguintes termos:

No cruzamento a preferência é do carro maior. Em caso de carros do mesmo tamanho o mais caro tem a preferência.

Em local de estacionamento proibido se o motorista ligar o pisca-alerta e for ali rapidinho resolver um problema o estacionamento passa a ser permitido.

Para o brasileiro as leis não existem para tornar a vida de todo mundo melhor. Elas existem “pra me fuder” ou “pra alguém se dar bem com isso”. A culpa não é do sistema, não é do Kassab, do Eduardo Paes, da Dilma, do Lula, do FHC ou do Obama. Não é nem dos ricos com seus carrões. A culpa é nossa. O trânsito é uma merda porque preferimos dormir 15 minutos a mais do que pegar um ônibus que — ó não! — pode nem ter lugar sentado. A culpa é do ritmo de vida que nos impomos e nos orgulhamos. “Tá foda, cara. Maior correria.” é algo que nos orgulhamos em dizer para os amigos. Não podemos ficar 15 minutos esperando uma mesa em um restaurante, não podemos dar 1 semana de prazo para nosso fornecedor. Tudo é para ontem, mas tudo deve ter a qualidade de anos de preparo.

Trabalhar até mais tarde em São Paulo é regra. A Anna sempre conta de quando trabalhava em uma empreiteira na Zona Sul e quando dava o “fim” do expediente, 18h, ela era a única a se levantar — precisava pegar a Clarinha na escola — e via os colegas de trabalho virarem os olhinhos. Desculpa, galera, nem em NYC e Londres, capitais mundiais do capitalismo, isso rola. Aqui rola o pensamento de que se eu não trabalhar 12 horas por dia o patrão vai arrumar alguém que tope. E quer saber? Ele vai conseguir mesmo. Não é uma questão de “não quer brincar muda pro meio do mato” porque trabalhar até tarde é só parte do problema. A coisa chegou num ponto onde estamos literalmente nos matando nas ruas, ou arrancando braços e fugindo.

Nos matamos, nos agredimos e no fim das contas pra quê? No fim do dia você correu, buzinou, quase atropelou 20 pessoas e fez o quê? Qual coisa tão importante assim você fez e deixou para o futuro? Espero que sua resposta tenha valido todo esse sangue.

Estamos mudando o significado das cores?

Os hospitais de antigamente eram todos brancos, das paredes às roupas dos funcionários, para demonstrar limpeza. Até que alguém resolveu que verde era uma cor melhor, calmante e até certas capacidades curativas. Mas depois de tantos anos será que não estamos dando ao verde a mesma característica opressora-doente e a tornando a “cor de hospital”?

Vem aí mais uma geração perdida. A Clara, por exemplo, começou no ensino fundamental essa semana e está adorando. Adorando! Onde já se viu isso, criança gostar de ir pra escola! E fica pior: hoje tem aula de educação física e ela está empolgadíssima.

Realmente o governo bota alguma coisa na água para mexer com a mente de nossos filhos.